PAPEL E PLÁSTICO: Bonança após a tempestade

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Marcado por mudanças e muitas expectativas no cenário político, 2018 termina com a sensação de que os momentos complicados enfrentados durante a crise econômica estão sendo superados. Segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), a receita bruta do setor de papel e celulose no país cresceu de R$ 71,1 bilhões para R$ 73,8 bilhões do último ano para este, gerando 3,7 milhões de empregos diretos e indiretos.
 
Contando com investimentos de R$ 24 bilhões que serão utilizados entre 2017 e 2020, o período foi pontuado por operações florestais e novas unidades industriais. Em uma comparação a 2016, a área de celulose registrou alta de 2,7 milhões de toneladas adicionais, além de 870 mil toneladas adicionais de papel e 2,3 milhões de metros cúbicos adicionais de painéis de madeira. No acumulado do ano até setembro, as exportações de papel alcançaram US$ 1,47 bilhão, e as de celulose, US$ 6,31 bilhões.
 
Para Armando Antônio de Amorim, presidente do Sindicato da Indústria de Papel e Celulose do Estado do Espírito Santo (Sindipapel), 2018 foi positivo para o setor, motivado por preços em alta tanto no mercado doméstico quanto internacional, forte demanda, custo de produção em queda e câmbio impulsionando a receita das exportações. “Com essa combinação de fatores, as principais empresas do segmento, entre as quais a Fibria, que tem operações no Espírito Santo, registraram desempenho recorde no terceiro trimestre do ano. O setor tem peso representativo na economia capixaba: as exportações de celulose respondem por mais da metade da pauta das vendas para o exterior do agronegócio no Espírito Santo, além de ser grande gerador de empregos, de tributos e de negócios dos fornecedores locais, fortalecendo a cadeia produtiva”, frisou.
 
No Estado, há 25 empresas de papel, papelão e cartonagem, além da celulose. A Fibria, em terras capixabas, gera cerca de 7 mil empregos diretos (próprios e de empresas parceiras), considerando as operações florestais, industriais e logísticas. A unidade industrial localizada em Aracruz tem capacidade para produzir 2,3 milhões de toneladas anuais de celulose branqueada de eucalipto. “Este está sendo um ano positivo para nossa empresa. Fizemos vários investimentos, como a modernização do transporte marítimo de madeira, com a instalação de gruas que ampliaram a produtividade das atividades de carga e descarga das barcaças que transportam madeira entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo e que demandaram investimentos de R$ 54 milhões”, disse o gerente-geral e industrial da Fibria, Marcelo de Oliveira.
 
Ainda em 2018, o Portocel, terminal marítimo especializado na movimentação de produtos florestais que é controlado pela empresa, completou 40 anos e captou R$ 31 milhões em investimentos em infraestrutura.
 
O transporte ferroviário de madeira também recebeu melhorias, com aportes da ordem de R$ 10 milhões em reforma de vagões e no reposicionamento da pera ferroviária – área de manobra para os trens que trazem madeira –, o que também otimizou processos e elevou a produtividade e a representatividade desse modal na Fibria.
 
Apenas no terceiro trimestre do ano, a fabricação de celulose da companhia chegou a 1,8 milhão de toneladas, 13% superior na comparação com os três meses anteriores. As vendas do produto entre outubro de 2017 e setembro deste ano ficaram em 7,2 milhão de toneladas, enquanto a receita líquida bateu o recorde de R$ 5,8 bilhões, contra os R$ 4,7 bilhões do segundo trimestre de 2018 e os R$ 2,8 bilhões do terceiro trimestre de 2017. Em 12 meses, a receita líquida foi de R$ 18,3 bilhões. Números que mostram que, após um período de incertezas, o setor se fortaleceu e hoje navega em águas mais calmas.
 
INDÚSTRIA QUÍMICA

Chamada de “a indústria das indústrias” por atender a diversas áreas da economia no país, o setor químico brasileiro registrou um aumento do volume de produção de 9,08% no segundo quadrimestre, em relação aos quatro primeiros meses deste ano. No mesmo período as vendas internas cresceram 2,11% e o Consumo Aparente Nacional (CAN), que aponta a produção somada à importação menos a exportação, avançou 8%. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).
 
Já na comparação com o segundo quadrimestre do ano passado, o segmento teve elevação de 1,42% na produção, de 0,75% nas vendas internas e de 1,3% no CAN. Por outro lado, o índice de produção apresentou declínio de 2,62% de janeiro a agosto deste ano, em relação a 2017, e de 0,44%, de setembro do ano passado a agosto de 2018.
 
No Espírito Santo, 2018 ainda foi de sinal amarelo para as empresas. Foi essa a análise de José Carlos Zanotelli, presidente do Sindiquímicos. “Todos os setores da área química – fármacos, sucroalcooleiro, cosméticos, fertilizantes, tintas e vernizes, e saneantes – sofreram com a retração econômica. Mesmo assim, em segmentos como o de tintas (que implantou o Programa de Qualidade das Tintas Capixabas), conseguimos a adesão de 95% das empresas para a certificação dos produtos, segundo regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a Portaria 529 do Inmetro. Já o setor de cosméticos se destacou pelos projetos de capacitação empresarial e adequação das industrias à legislação municipal, estadual e federal”, assinalou.
 
Contando hoje com cerca de 100 empresas, que geram aproximadamente 3 mil empregos, as indústrias químicas do Espírito Santo têm diversos desafios pela frente. “Podemos listar alguns: combater a informalidade, dentro e fora do Estado, pois algumas empresas insistem em trabalhar errado; valorizar os produtos capixabas e preservar sua qualidade; e promover vendas entre indústrias do mesmo setor, assim como dos demais, pois é uma excelente oportunidade”, concluiu Zanotelli.

 

Fonte: ES Brasil